trabalho
Cacos, coquinhos, gravetos, sementes… O que não serve e está jogado na natureza serve para a arte de Fernando Fernandes e Sergio Atilano. Como para Manuel de Barros, para quem «  as coisas sem importância são bens de poesia ».
Uma velha mania de andar pela mata, pelos rios, pelas praias e ruas da cidade, olhando o que tem pelo chão. Quase uma compulsão : coletar, juntar o que foi jogado fora, trazido pelo vento, pela correnteza. Ordenar. Um ato primitivo, repetido um sem fim de vezes para obedecer à necessidade de criar, recriar. É este ofício de buscar as raizes do trabalho que move a Arte de Fernando e Sergio.
« A qualquier hora surge na rua, na estrada, o material que acaba guardado no ateliê, à espera do momento de ser usado. E há aquilo que, quando surge, parece ter vindo exatamente para aquela obra que estava sendo gerada, e então é aplicado imediatamente », revela Sergio, estimulando Fernando a conceituar : « É o que chamo de arqueologia poética. »
Para ambos, é uma linguagem muito clara, com raízes na arte primitiva, que valoriza a arte indígena e africana, o fazer artesanal. É mesmo como apontou Gaudi :
originalidade é voltar às origens.
Minimalista na essência, como os demais gravetos recriados como esculturas e pendentes, elevados à potência de uma arte que sugere a ritualização do objeto cotidiano. Sem excessos nem justificativas teóricas complicadas. Apenas a expressão provocada pelo livre sentir diante do que jà não serve, do que foi abandonado, jogado fora.